quinta-feira, 27 de março de 2003

sem título #6



o problema de morrer é ter que aguentar o peso da terra, que deve ser muito grande. em viver não há nada, para variar. um pouco de ar. se você não se importa de chover no molhado então pode até acreditar que não, como secando o chão inundado por uma torneira que continua aberta. asfixiar anaeróbios e afogar peixes, esta é a diversão. controle remoto, Cânticos à Nação Nonsense. uma guerra cirúrgica qualquer contra alguma petromonarquia, com incisões à faca de cozinha. o peso da terra parece não existir ao girar em torno do sol umb ego, e se as últimas pontes estão queimando podemos usar os destroços para aumentar esse muro aqui, o que você acha? o lobo do homem se passa por cordeiro e a guerra de todos contra todos é demodé, é eu contra eles. eles contra vocês. você [en]contra eu. conta até dez, pensa duas vezes, se a segunda for previsível, sempre existe a terceira estampada no asfalto. mas mesmo com o calor, não estou certo se podemos desistir mais do que uma vez. quantas chances existem para errar? deixe a caixinha esvaziar agora que ela virou e encharcou com leite o chapéu e a cama. algo com gosto de soro não pode diluir algo sem gosto - e quem sabe ela toque uma musiquinha. uma daquelas perigosas, que te fazem pensar no passado enquanto ele ainda não se foi. uma daquelas tão bonitas que dão medo, uma daquelas músicas terráqueas que digam que vale a pena estar vivo - nem que seja pra dizer que não vale a pena. o peso da pena afunda a terra, mas não digo que tenha morrido: é aquela história, quem entra em um poema não morre nunca.