Sairão ainda, um dia, palavras desta pena? "Oh, a grandeza!", disse certa vez o Rimbaud do Boqueirão. Quantos anos se passaram desde que o Trapo teve seu último arroubo de auto confiança? Desde que as espessas e traiçoeiras plumagens do alto-arcanjo-mor o derrubaram do ápice argênteo direto à sarjeta da Riachuelo com Alfredo Bufren, de cara no chão de vômito seco, se bem me lembro. Pelo menos, foi em frente a um brechozinho bem transado.
O mendigo da esquina, que viu tudo, pediu trocado. Ao invés disso recebeu um exemplar do Manifesto Comunista. Nada melhor para travar o fluxo da consciência; um desses ou um sonoro "vai tomar no cu", ao melhor exemplo da vizinhança gentalha. Das esposas de fazendeiros ricos comprando joias no Medalhão Persa. Dos adolescentes que já viram tudo. Do reacinha que ganhou consultório do papai, do vermelho revoltadinho estudante profissional de universidade pública, futuro vereador. De todos eles, de todo mundo. Da tia gorda com sacolas, do punk podre e do punk de boutique. Das pessoas normais e das esquisitas. E das que têm opinião, e das que não pensam em porra nenhuma. Das que vivem num mundo de mentira, das que não vivem, das que se mataram. Das coisas que não podem piorar.
Do velho ranzinza, da trintona-mulherão-bem-resolvida-hedonista. De todas as profundas vergonhas e de todos os fracassos retumbantes, de todas as coisas escondidas que foram vistas e de todas as coisas divulgadas que foram ignoradas. De todos os textos longos que ninguém teve saco de ler até o fim e de todos os tuítes espirituosos que no fim não tiveram graça.
Outra vez o maior segredo e outra vez o maior dos vexames, o loop característico do inferno. O gesto mais bonito de amizade e o ciúme mais doentio. A ânsia pelo choro que não vem é como estar agachado em frente ao vaso sanitário, se contorcendo de dor. Tá louco, que exagero.
E tudo volta a ser estudo chato e metódico de escalas, só o que flui como se psicografado cheira a algum valor. Antes alguém corroborasse essa impressão. Não há histórias para contar, as melhores palavras são as não ditas.
Tentando se afogar enfiando a cabeça através do espelho. Um espelho bem grande, de corpo inteiro. Uma passagem pra longe daqui, dessa merda toda. Um jetpack.
O mendigo da esquina, que viu tudo, pediu trocado. Ao invés disso recebeu um exemplar do Manifesto Comunista. Nada melhor para travar o fluxo da consciência; um desses ou um sonoro "vai tomar no cu", ao melhor exemplo da vizinhança gentalha. Das esposas de fazendeiros ricos comprando joias no Medalhão Persa. Dos adolescentes que já viram tudo. Do reacinha que ganhou consultório do papai, do vermelho revoltadinho estudante profissional de universidade pública, futuro vereador. De todos eles, de todo mundo. Da tia gorda com sacolas, do punk podre e do punk de boutique. Das pessoas normais e das esquisitas. E das que têm opinião, e das que não pensam em porra nenhuma. Das que vivem num mundo de mentira, das que não vivem, das que se mataram. Das coisas que não podem piorar.
Do velho ranzinza, da trintona-mulherão-bem-resolvida-hedonista. De todas as profundas vergonhas e de todos os fracassos retumbantes, de todas as coisas escondidas que foram vistas e de todas as coisas divulgadas que foram ignoradas. De todos os textos longos que ninguém teve saco de ler até o fim e de todos os tuítes espirituosos que no fim não tiveram graça.
Outra vez o maior segredo e outra vez o maior dos vexames, o loop característico do inferno. O gesto mais bonito de amizade e o ciúme mais doentio. A ânsia pelo choro que não vem é como estar agachado em frente ao vaso sanitário, se contorcendo de dor. Tá louco, que exagero.
E tudo volta a ser estudo chato e metódico de escalas, só o que flui como se psicografado cheira a algum valor. Antes alguém corroborasse essa impressão. Não há histórias para contar, as melhores palavras são as não ditas.
Tentando se afogar enfiando a cabeça através do espelho. Um espelho bem grande, de corpo inteiro. Uma passagem pra longe daqui, dessa merda toda. Um jetpack.